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Repasse médico: como calcular, conferir e pagar sem erro

Por Osmair Junior

Revisão: Marcos Friske

Publicado em

9 min de leitura

Resposta direta

Repasse médico é o valor que a clínica paga ao profissional pelos atendimentos que ele realizou. O cálculo depende de três definições que precisam estar por escrito: a base (valor bruto ou líquido de taxas, impostos e glosas), o percentual ou valor fixo, e o momento do pagamento (quando o atendimento é produzido ou quando o dinheiro é recebido).

Em clínicas com mais de um profissional, o repasse costuma ser a maior despesa do mês — e também a mais sensível. Erro para menos gera desgaste com quem atende. Erro para mais tira dinheiro da clínica sem ninguém perceber. Quase sempre, o problema não está na conta, e sim em regras que nunca foram escritas com clareza.

O que é repasse médico

Repasse é a parte da receita de um atendimento que a clínica transfere ao profissional que o realizou. O termo é usado também para dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais que atuam em clínicas. Vale para atendimentos particulares e de convênio.

Os modelos de repasse mais comuns

ModeloComo funcionaBom paraCuidado
Percentual sobre o brutoEx.: 60% do valor cobradoSimplicidadeA clínica absorve sozinha taxas, impostos e glosas
Percentual sobre o líquidoPercentual após taxas de cartão, impostos e/ou glosasDivisão justa de custos variáveisPrecisa definir exatamente o que é descontado
Valor fixo por procedimentoEx.: R$ 120 por consultaPrevisibilidadePrecisa ser revisto quando o preço muda
Aluguel de sala ou turnoProfissional paga à clínica pelo uso da estruturaProfissionais com agenda própriaEnvolve contrato diferente; o fluxo de dinheiro se inverte
HíbridoEx.: fixo para consultas, percentual para procedimentosClínicas com mix variadoExige sistema e conferência bem configurados

Repasse sobre o bruto ou sobre o líquido?

Essa é a decisão que mais muda o resultado da clínica. Veja o mesmo atendimento calculado das duas formas:

Exemplo ilustrativo

Consulta particular de R$ 400, paga no cartão de crédito. Taxa da maquininha: 3%. Impostos sobre a receita: 8%. Regra de repasse: 60%.

Sobre o brutoSobre o líquido
Valor cobradoR$ 400,00R$ 400,00
(−) Taxa de cartão (3%)—R$ 12,00
(−) Impostos (8%)—R$ 32,00
Base do repasseR$ 400,00R$ 356,00
Repasse ao profissional (60%)R$ 240,00R$ 213,60
Fica com a clínica, antes de taxa e impostoR$ 160,00R$ 186,40
Fica com a clínica, depois de taxa e impostoR$ 116,00R$ 142,40

Percentuais e valores apenas para ilustrar a lógica. Taxas e impostos reais variam conforme adquirente, regime tributário e atividade.

Nenhum dos dois modelos é “certo”. O importante é que o percentual tenha sido definido sabendo qual é a base. Um repasse de 60% sobre o bruto e um de 60% sobre o líquido são acordos muito diferentes.

Pagar pelo produzido ou pelo recebido?

No particular, a diferença é pequena: o paciente paga no dia (ou a maquininha paga em até 30 dias, no crédito à vista). No convênio, a diferença pode ser de meses.

  • Pelo produzido: o profissional recebe no mês seguinte ao atendimento, mesmo que o convênio ainda não tenha pago. A clínica financia esse intervalo com o próprio caixa.
  • Pelo recebido: o profissional recebe quando o dinheiro entra. O caixa da clínica fica protegido, mas o profissional espera mais e precisa confiar no controle da clínica.

Clínicas com muito convênio que pagam pelo produzido precisam acompanhar o caixa de perto. Veja como em fluxo de caixa para clínicas.

E quando o convênio glosa?

Se a operadora não paga parte de uma guia (a glosa), alguém absorve essa perda. As opções comuns são: a clínica absorve tudo; o valor glosado é descontado do repasse; ou o desconto só acontece quando a glosa decorre de erro de preenchimento do profissional. O que não pode é a regra ser decidida caso a caso, no fim do mês.

Como conferir o repasse sem discussão

  1. Regras por escrito para cada profissional: base, percentual ou valor, o que é descontado, momento do pagamento e tratamento de glosa.
  2. Fonte única de atendimentos: o relatório do sistema da clínica, não anotações paralelas.
  3. Memória de cálculo enviada ao profissional antes do pagamento, com cada atendimento listado.
  4. Prazo para contestação — por exemplo, três dias úteis — antes de o pagamento ser agendado.
  5. Conferência cruzada: atendimentos x faturamento x recebimentos. É aqui que aparecem atendimentos não faturados e repasses pagos sobre valores que nunca entraram.

Aviso de escopo: conteúdo informativo. Somos uma empresa de BPO Financeiro e não prestamos serviços contábeis, tributários ou jurídicos. Para decisões nessas áreas, consulte seu contador ou advogado.

Ainda com dúvida?

Perguntas relacionadas

Repasse médico é salário?

Não necessariamente. Na maioria das clínicas, o repasse é a remuneração de um profissional que atua como pessoa jurídica ou autônomo, e não um salário de empregado. A forma de contratação tem implicações trabalhistas e tributárias que devem ser avaliadas com o contador e, se necessário, com um advogado.

Quem deve calcular o repasse: a clínica ou o profissional?

A clínica calcula, com base nos atendimentos registrados no sistema e nas regras do contrato, e envia ao profissional um extrato com a memória de cálculo. O profissional confere e emite a nota fiscal, quando aplicável.

O BPO Financeiro calcula o repasse?

Pode calcular ou conferir o cálculo feito pelo sistema da clínica, conforme o combinado. Em ambos os casos, o BPO garante que o valor pago corresponde à regra contratada e ao que realmente foi produzido ou recebido.

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