Como calcular o ponto de equilíbrio em 3 passos
1. Some os custos fixos e o pró-labore
Custos fixos são os que existem com ou sem paciente: aluguel, salários e encargos, sistemas, contador, marketing, energia. Some o pró-labore dos sócios — o trabalho deles também precisa ser pago antes de existir lucro. Use a média dos últimos meses; a DRE gerencial já traz esses valores separados.
2. Calcule a margem de contribuição de cada atendimento
Do ticket médio, tire o que sai junto com cada atendimento: impostos sobre o faturamento, repasse aos profissionais, taxa de cartão e custo variável (insumos e materiais). O que sobra é a margem de contribuição: quanto cada atendimento contribui para pagar os custos fixos.
3. Divida um pelo outro
Custos fixos ÷ margem de contribuição = atendimentos por mês para empatar. Para uma meta de lucro, some a meta aos custos fixos antes de dividir. Divida também pelos dias de atendimento para ter uma meta diária — é ela que a recepção consegue acompanhar.
Exemplo: clínica com profissionais parceiros
São os mesmos valores que aparecem na calculadora ao abrir a página.
| Custos fixos + pró-labore | R$ 65.000 |
|---|---|
| Ticket médio | R$ 280 |
| Impostos (8%) + repasse (30%) + cartão (2%) | R$ 112 |
| Custo variável por atendimento | R$ 25 |
| Margem de contribuição: R$ 280 − R$ 112 − R$ 25 | R$ 143 (51%) |
| Ponto de equilíbrio: R$ 65.000 ÷ R$ 143 | 455 atendimentos/mês |
| Em 22 dias de atendimento | ≈ 21 por dia |
| Meta de R$ 20 mil de lucro: R$ 85.000 ÷ R$ 143 | 595 atendimentos/mês |
Essa clínica faz hoje 500 atendimentos por mês: passou do equilíbrio e sobram cerca de R$ 6.500. Para chegar a R$ 20 mil de lucro, precisa de mais 95 atendimentos por mês — ou de mais margem em cada um. É esse tipo de número que transforma “preciso melhorar o financeiro” em uma meta concreta.
Valores ilustrativos, apenas para explicar a lógica. Não representam um cliente real.
4 formas de baixar o ponto de equilíbrio
- Aumentar a margem de cada atendimento. Revisar preço, renegociar taxa de cartão, conferir se o percentual de repasse é sustentável e cortar desperdício de insumos. Cada real a mais de margem reduz o número de atendimentos necessários.
- Reduzir ou segurar os custos fixos. Cada novo custo fixo — uma contratação, uma sala, um sistema — aumenta o ponto de equilíbrio. Antes de assumir, calcule quantos atendimentos a mais ele exige.
- Trocar o mix de atendimentos. Procedimentos e consultas têm margens diferentes, assim como particular e convênio. Atender mais do que tem margem maior baixa o ponto de equilíbrio sem aumentar a agenda.
- Reduzir faltas e horários vagos. Se a clínica precisa de 21 atendimentos por dia, cada falta não reposta empurra o mês para mais perto do prejuízo. Confirmação de agenda e lista de encaixe têm impacto direto.
Cuidados ao usar o número
Ticket médio esconde diferenças. Se a clínica atende particular e convênio, ou consultas e procedimentos com valores muito distintos, o mix do mês muda o resultado. Vale calcular por tipo de atendimento quando a diferença for grande.
Convênio paga depois — e às vezes paga menos. O ponto de equilíbrio é de resultado, não de caixa. Atendimentos de convênio entram no caixa 30, 60 ou 90 dias depois, e glosas reduzem o valor recebido. Acompanhe também o fluxo de caixa.
Imposto depende do regime. Use a alíquota efetiva informada pelo seu contador — no Simples Nacional ela muda com o faturamento e, para várias atividades da saúde, com o Fator R.
Se a clínica fatura bem e mesmo assim não sobra dinheiro, o ponto de equilíbrio costuma ser uma das respostas. Veja as outras causas em por que a clínica fatura e não sobra dinheiro.