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Lucro, preço e custos

Como precificar procedimentos na clínica: custo, preço mínimo e margem

Por Osmair Junior

Revisão: Marcos Friske

Publicado em

11 min de leitura

Resposta direta

Para precificar um procedimento, calcule o custo da hora de sala da clínica (custos fixos ÷ horas que de fato viram atendimento), multiplique pelo tempo real do procedimento — incluindo preparo e retornos já incluídos — e some materiais, laboratório e outros custos diretos. Depois divida esse custo por (1 − impostos − taxa de cartão − repasse percentual − margem desejada). Impostos, cartão e repasse são percentuais do preço; somá-los ao custo, como em muitas fórmulas, gera um preço baixo demais.

Muitas clínicas definem o preço dos procedimentos olhando o concorrente ou multiplicando o custo do material. As duas formas ignoram o que mais pesa: o tempo de sala e de equipe que o procedimento consome e os percentuais que saem do preço antes de qualquer sobra. Este guia mostra o cálculo completo, com um exemplo, e onde as fórmulas mais comuns erram. Preço é uma das alavancas da lucratividade da clínica — e a que mais costuma estar desatualizada.

Consulta e procedimento se precificam de formas diferentes

Na consulta, o tempo é parecido de um atendimento para outro e quase não há custo direto. Para ela, use a calculadora do valor da consulta. No procedimento, o tempo varia muito, existem materiais, laboratório e esterilização, muitas vezes há retornos incluídos e o repasse costuma ser maior. Por isso o cálculo precisa separar estrutura, custo direto e percentuais.

O cálculo em 5 passos

1. Custo da hora de sala

Some os custos fixos do mês — aluguel, equipe, sistemas, contador, energia, marketing e a remuneração dos sócios pela gestão, se ela não estiver em outro lugar — e divida pelas horas de sala que de fato viram atendimento. Horas disponíveis × ocupação real: salas vazias e faltas não podem entrar na conta, senão o custo da hora fica baixo demais.

2. Tempo real do procedimento

Cronometre do paciente entrando na sala até a sala estar pronta para o próximo: preparo, procedimento, limpeza e orientações. Some o tempo dos retornos e revisões já incluídos no preço. É comum o tempo real ser bem maior que o “tempo do procedimento”.

3. Custos diretos

Materiais e descartáveis, medicamentos, laboratório ou prótese, esterilização, exames terceirizados e, se o profissional recebe valor fixo por procedimento, esse valor. Tudo o que só existe porque o procedimento foi feito.

4. Percentuais que saem do preço

Impostos sobre a receita, taxa de cartão e repasse percentual crescem junto com o preço. Por isso eles não são somados ao custo: o custo é dividido por (1 − percentuais). Para a alíquota, use a efetiva que o seu contador informar; a calculadora da consulta explica o efeito do regime tributário.

5. Margem desejada

Com margem zero você tem o preço mínimo: abaixo dele, cada procedimento tira dinheiro da clínica. A margem que você soma ao divisor é a parte que vira lucro da clínica como negócio.

Exemplo calculado

Exemplo ilustrativo

Clínica com 3 salas, 8 horas por dia, 22 dias por mês (528 horas) e 75% de ocupação real: 396 horas que viram atendimento. Custos fixos de R$ 59.400. Valores hipotéticos.

EtapaCálculoValor
Custo da hora de salaR$ 59.400 ÷ 396 hR$ 150
Estrutura do procedimento1h30 (com preparo e 1 retorno) × R$ 150R$ 225
Materiais e descartáveisR$ 180
LaboratórioR$ 350
Custo do procedimentoR$ 225 + R$ 180 + R$ 350R$ 755
Percentuais sobre o preçoImpostos 8% + cartão 3% + repasse 30%41%
Preço mínimoR$ 755 ÷ (1 − 0,41)R$ 1.279,66
Preço com 20% de margemR$ 755 ÷ (1 − 0,41 − 0,20)R$ 1.935,90

Se a clínica cobra R$ 1.200 porque “é o preço da região”, saem 41% (R$ 492) e sobram R$ 708 — R$ 47 a menos que o custo. Cada procedimento dá prejuízo, e quanto mais a clínica vende, mais perde.

E o preço de mercado?

O preço de mercado mostra quanto o paciente está disposto a pagar — não quanto a sua clínica precisa cobrar. Use os dois juntos:

  • Preço mínimo abaixo do mercado: há espaço para margem. Posicione o preço pelo valor que a clínica entrega — estrutura, experiência, resultado, atendimento —, não pelo menor valor da região.
  • Preço mínimo acima do mercado: antes de aceitar o prejuízo, revise o tempo de sala, os custos diretos, a regra de repasse e a ocupação. Se ainda assim não fechar, decida conscientemente se vale oferecer o procedimento.

Tabelas de referência publicadas por entidades da categoria podem ajudar como ponto de partida, mas não substituem o custo da sua clínica.

Pacotes, reajuste e convênio

Pacotes e sessões

Desconto de pacote sai da margem. Calcule o preço por sessão primeiro e defina o desconto máximo que ainda deixa a margem desejada. Lembre que, no pacote pago antecipadamente, o dinheiro entra antes das sessões — ele não é lucro até a última sessão ser feita. Veja como isso funciona em clínicas de estética.

Reajuste

Refaça o cálculo pelo menos uma vez por ano e comunique o reajuste com antecedência. Se o repasse é percentual, parte do reajuste vai para o profissional — o ganho da clínica é menor que o aumento. E orçamento já aprovado pelo paciente não muda: o novo preço vale para os próximos, como explicamos em como converter orçamentos em tratamentos.

Convênio

No convênio o preço é da tabela, mas o cálculo continua útil: ele mostra se o procedimento cobre o custo e quanto sobra por hora de sala. Com essa informação, a clínica decide quanto da agenda entregar a cada convênio — a lógica da margem por hora de agenda.

Erros comuns na precificação de procedimentos

  • Copiar o preço do concorrente sem saber o próprio custo.
  • Esquecer preparo, limpeza e retornos incluídos no tempo do procedimento.
  • Somar impostos, cartão e repasse percentual ao custo em vez de dividir.
  • Calcular o custo da hora com a agenda cheia, sem descontar ocupação real e faltas.
  • Dar desconto de pacote ou à vista sem conferir a margem que sobra.
  • Não revisar o preço quando material, laboratório ou aluguel sobem.

Cada procedimento precisa deixar margem de contribuição para pagar a estrutura — e a soma delas precisa passar do ponto de equilíbrio. Se você não sabe o custo da hora da sua clínica nem a margem dos procedimentos que mais vende, o Diagnóstico Financeiro gratuito faz essa conta com os seus números.

Aviso de escopo: conteúdo informativo. Somos uma empresa de BPO Financeiro e não prestamos serviços contábeis, tributários ou jurídicos. Para decisões nessas áreas, consulte seu contador ou advogado.

Ainda com dúvida?

Perguntas relacionadas

Como calcular o custo de um procedimento?

Some três partes: o custo da estrutura pelo tempo de sala que o procedimento ocupa (custo da hora × horas, incluindo preparo, limpeza e retornos inclusos), os custos diretos (materiais, descartáveis, laboratório, esterilização) e, se houver, a remuneração fixa do profissional por procedimento. Impostos, cartão e repasse percentual não entram aqui: eles são tratados como percentuais do preço.

Por que ratear o custo fixo por hora e não por número de procedimentos?

Porque procedimentos têm durações diferentes. Dividir os custos fixos pelo número de procedimentos dá o mesmo custo de estrutura para um atendimento de 20 minutos e para um de 2 horas, o que encarece os curtos e barateia os longos. O recurso que a estrutura vende é tempo de sala.

O repasse ao profissional entra no custo ou no preço?

Depende da regra. Se o profissional recebe um valor fixo por procedimento, ele é custo. Se recebe um percentual do valor cobrado, ele cresce junto com o preço e deve entrar no divisor, junto com impostos e cartão — senão o preço calculado não cobre o repasse.

Com que frequência revisar o preço dos procedimentos?

Pelo menos uma vez por ano e sempre que um custo relevante mudar: aluguel, folha, preço de material ou laboratório, regra de repasse ou alíquota de imposto. Revise também quando a ocupação da agenda mudar muito, porque ela altera o custo da hora.

Posso cobrar abaixo do preço mínimo para atrair pacientes?

Pode, como decisão consciente e temporária — mas cada procedimento abaixo do preço mínimo tira dinheiro da clínica. Se a estratégia for usar um serviço de entrada para gerar tratamentos maiores, calcule quanto desses pacientes precisam fechar o tratamento para a conta fechar.

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